Ainda sobre a destinação de resíduos de madeira tratada

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Lixo Bom

Os questionamentos a respeito da destinação final da madeira tratada são muitos e frequentes. Madeira tratada contém produtos químicos, denominados como preservativos, que têm como objetivo aumentar o máximo possível a sua durabilidade quando em uso. Todo material tem a sua vida útil definida, madeira tratada não é exceção. Ao mesmo tempo, todo material ao ser removido de serviço terá de ser destinado de alguma forma, preferencialmente uma forma que permita a sua reutilização ou reciclagem. O assunto é devidamente regulamentado através da Resolução CONAMA 307 e pela adoção da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, que determinam os cuidados a respeito da disposição de todo e qualquer resíduo gerado, seja ele de qualquer natureza.  No caso da madeira tratada, são definidos como resíduos desde pequenas peças resultantes de cortes e entalhes até peças removidas de forma permanente do seu uso original, como mourões de cercas, postes, dormentes, etc. Materiais ou produtos de madeira tratada quando reutilizados de forma consistente não são considerados como resíduos descartáveis. As estimativas de utilização da madeira tratada no nosso País indicam um volume anual da ordem de 2,5 milhões m³, com expressiva predominância do eucalipto. Essas considerações a respeito de volumes são interessantes, na medida em que refletem a dimensão futura relativa à geração de resíduos de madeira tratada. Comparado a certos países com forte tradição na utilização da madeira tratada, os volumes brasileiros são até insignificantes. No entanto, não nos isenta da atenção a respeito do tema relacionado aos padrões de destinação, mesmo porque se observa forte tendência de crescimento desses volumes anualmente. Nada mais saudável do que se definir medidas de forma preventiva. A primeira medida a ser considerada envolve o planejamento quanto ao uso da madeira tratada, ou seja, por mais simples que seja o projeto original, as peças a serem aplicadas devem estar originalmente na sua forma final, evitando operações de cortes, entalhes lixamentos, etc., os quais podem gerar resíduos nas obras. Cumprida esta recomendação, ocorrendo a necessidade de uma reposição ou substituição, conhecida como práticas de desconstrução , o desmonte deverá ser cuidadosamente planejado e conduzido de maneira a priorizar toda e qualquer possibilidade de reuso. Um poste pode virar alguns mourões, e assim por diante. Não havendo alternativa para o reuso, deve ser considerada a possibilidade da reciclagem. Postes são verdadeiras toras que, uma vez inservíveis como tal, poderão ser processados e transformados em pranchas ou tábuas destinadas a construções diversas ou mesmo fazer parte do processo de transformação para a fabricação de painéis, na forma de cavacos, partículas e similares. Incineração ou queima é a próxima alternativa, normalmente para o aproveitamento energético como substituto parcial de combustíveis em fornos ou caldeiras, com sistemas de controles de queima e emissões. Finalmente, a destinação para aterros industriais – Classe II A – resíduos não inertes – ou para aterros industriais – Classe I – resíduos perigosos – é prática corrente e permitida desde que estejam devidamente licenciados pelos órgãos ambientais competentes e em sintonia com as legislações vigentes. Vale acrescentar que medidas de destinação desse material tratado, quando inservível, estão longe da complexidade de muitos outros materiais alternativos utilizados para qualquer finalidade, trata-se, portanto, de um lixo muito bom.

Flavio Geraldo
FG4Mad – Consultoria em Madeira
flavio@fg4mad.com.br
www.fg4mad.com.br